sábado, 10 de setembro de 2011

Blue Moon, afinal, existe mesmo essa tal da Lua Azul?


Blue Moon, música, expressão ou uma verdadeira Lua Azul?  Afinal, de onde surgiu essa expressão? E a música? E essa Lua Azul, existe mesmo? Quando posso ver?

Após muita e muita pesquisa vamos às curiosas descobertas:

Blue Moon, a música:

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Blue Moon é um clássico. Foi escrita por Richard Rodgers (música) e Lorenz Hart (letra) em 1934. Desde então, a canção foi gravada por muitos artistas e usada em alguns filmes. Seguem os mais famosos:

1939 Harpo Marx tocou uma interpretação da música em um medley para o filme Irmãos Marx,  At The Circus.
1950 Billie Holiday
1952 Jo Stafford - esta versão é também ouvida em 2009 no filme A Single Man
1955 Louis Armstrong
1956 Elvis Presley, no primeiro álbum
1960 Sam Cooke - uma das três versões diferentes usadas em 1981 no filme Um Lobisomem Americano em Londres
1961 Frank Sinatra 
1963 Bobby Vinton - uma das três versões diferentes usadas em 1981 no filme Um Lobisomem Americano em Londres
1970 Bob Dylan, gravou a canção em seu álbum Self Portrait
1978 Filme Grease, um arranjo por Jeff Funk foi usado no filme
1982 Cantada por um cantor de casamento sem créditos no filme na cena de recepção no filme "Diner".
1983 César Camargo Mariano, um músico brasileiro
1991 Ivan Lins, compositor e cantor brasileiro
1995 The Mavericks, esta versão é destaque na trilha sonora do filme Apollo 13
2004 Rod Stewart com Eric Clapton
2006 Orange and Lemons. Esta versão serviu como a canção tema do filme de mesmo nome.
2011 Beady Eye gravou a canção para apoiar o Time de futebol Manchester City de 2011/12, e é comumente cantada pelos torcedores durante as partidas.
Nat King Cole

Para ver mais alguns cantores que gravaram acesse: http://en.wikipedia.org/wiki/Blue_Moon_(song)  - a lista contém de 60 à 70 nomes.

Essa canção atingiu o primeiro lugar na Billboard em 1949.  Ela também chegou ao Best Seller em 08 de abril de 1949, e durou cinco semanas na parada, chegando ao número 20.

Na Billboard Pop alcançou o recorde de número 1 por três semanas em 1961 e número 1 no R&B.

Também alcançou a primeira colocação nas paradas musicais do Reino Unido durante a década de 1960 no UK Singles Chart, onde ficou por 2 semanas consecutivas.

A versão Marcels de "Blue Moon" vendeu um milhão de cópias e foi premiada com um disco de ouro. É destaque em The Rock and Roll Hall of Fame's 500 Songs that Shaped Rock and Roll e ainda é uma das três versões diferentes usadas no 1981 filme Um Lobisomem Americano em Londres.

Blue Moon é comumente reconhecida como o "Theme Tune" do Manchester City Football Club na cultura britânica.  É a canção mais cantada pelos torcedores do Manchester City durante jogos de futebol.

Aqui no Brasil a música serviu como tema de abertura da novela  “O Beijo do Vampiro”, lembra?
Olha aí:

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Blue Moon, a expressão:

“Once in a Blue Moon...”
"Era uma vez, numa Lua Azul..."

A tradução literal sugere que a Lua adquiriu essa bela cor, por algum motivo qualquer. Mas não é bem assim. Essa expressão recorda uma história quase cômica contada nos países anglo-saxões no século XVI.

Quando um cavaleiro queria ser gentil com sua dama, mas sem assumir um compromisso mais sério, simplesmente dizia — Eu me casarei contigo numa noite de Lua Azul. Apesar da proposta romântica, a idéia era que esse momento nunca chegasse (que maldade), o que adiaria a cerimônia indefinidamente não fosse por um detalhe: a Lua pode mesmo ficar azul.

É verdade que o falso pretendente sempre levava vantagem. A Lua só fica azul em situações muito particulares, raras mesmo, quando a atmosfera terrestre colabora de um jeito muito especial. Foi o que aconteceu aos indonésios durante a erupção do vulcão Krakatoa em 1883 (maiores informações abaixo), quando foram vistas muitas luas azuis naquele ano, para desespero dos rapazes.

Em outras palavras, Blue Moon significa algo muito raro, como sugere a expressão em inglês que abre este texto, comum em livros infantis de língua inglesa, e cuja possível tradução seria algo do tipo “era uma vez, como nunca...”.

Blue Moon é um termo popular na Inglaterra e Estados Unidos, sendo usado com frequência em poesias e canções. Aliás, apesar da tradução tentadora, neste caso o melhor mesmo é usar o termo original, já que a expressão Lua Azul não tem relação com nenhuma lenda do folclore nacional.

A primeira ocasião em que a expressão Blue Moon apareceu na literatura foi em 1528, num poema pertencente a ninguém menos que o dramaturgo inglês William Shakespeare. Começar uma história dizendo que tudo aconteceu numa noite de Blue Moon pode significar uma lenda fantasiosa ou algo extremamente difícil de acontecer.

Aliás, Blue Moon tem diferentes conotações no idioma inglês. A música com esse mesmo título exprime solidão, melancolia. E para os que anseiam por um compromisso sério, a noite de Blue Moon é uma data mais que especial para iniciar um romance. Talvez um amor impossível.

Blue Moon, agora sim, a Lua propriamente dita:

Mas o fato é que ao norte do equador  - não se sabe ao certo quando nem porquê - Blue Moon também passou a denominar a segunda Lua Cheia que acontece num mês.

Normalmente os meses têm apenas uma Lua Cheia, pois o período que separa duas fases iguais é de aproximadamente 29,5 dias. Mas todos os meses, exceto fevereiro, são mais longos que isso. Assim, com um pouco de sorte é possível que a natureza encaixe duas luas cheias num único mês. E isso acontece 7 vezes a cada 19 anos, em média.

O impossível aconteceu....

Blue Moons são raras. Blue Moons que acontecem em véspera de ano novo são ainda mais raras. Um eclipse lunar numa noite de Blue Moon em véspera de ano novo... Bem, isso já é ridículo!

Mas foi exatamente o que aconteceu em 31 de dezembro de 2009, último dia do Ano Internacional da Astronomia. O eclipse foi parcial e visível apenas na África, Europa, Ásia e parte do Estado norte-americano do Alaska, onde a foto abaixo foi tirada.

Foto: Dave Parkhurst

A Blue Moon aconteceu porque no dia 2 do mesmo mês foi Lua Cheia, permitindo que outra Lua Cheia surgisse no céu antes do mês seguinte. A última vez que houve uma Blue Moon foi em 31 de dezembro foi em 1990. Sua próxima oportunidade não virá antes do final de 2028.

Algumas pessoas insistem em dizer que aquela foi uma noite de Blue Moon, mas como se percebe na foto, a Lua está mais para "orange" (laranja) - e dependendo do calendário que se use, ela pode nem mesmo ser a segunda Lua Cheia do mês. Mas quem liga para isso, se agora, você já pode olhar para a mesma Lua de sempre com outros olhos?

Mas calma, não desanime, ainda não terminamos, existe realmente um luar azul...

O azul que vem do fogo

Um luar realmente azul é ainda mais raro que uma noite de Blue Moon. Quando o satélite muda de cor é sempre por conta de algum fenômeno atmosférico e, portanto, observado apenas localmente, por certas populações do globo. Além disso, muito mais frequentemente a Lua fica vermelha ou alaranjada. É o que costuma acontecer durante os eclipses lunares totais.

Especialistas afirmam que para a Lua ficar azulada é preciso que o ar contenha apenas partículas em suspensão maiores que o comprimento de onda da luz vermelha (menos de um milésimo de milímetro). Só assim essa cor é completamente absorvida, deixando passar o azul. Isso é muito difícil de acontecer, mas erupções vulcânicas e incêndios florestais podem produzir tais nuvens de partículas.

No final do século XIX não havia dúvidas sobre luares estranhos (quer fosse Lua Cheia ou não), por causa dos efeitos da explosão do monte Krakatoa. Considerada a maior erupção vulcânica da história moderna, ela despejou poeira na atmosfera equivalente a uma explosão de 100 milhões de toneladas de dinamite (100 megatons) - veja detalhes impressionantes abaixo:


O DIA EM QUE O MUNDO EXPLODIU

Às 12:53, do dia 26 de Agosto de 1883, na ilha de Krakatoa, entre as ilhas de Sumatra e Java, na Indonésia, o vulcão do monte Perbuatan, supostamente extinto, entrou em uma erupção que duraria até à noite do dia 27 de Agosto. A explosão inicial gerou um som ensurdecedor, acompanhado por uma nuvem negra de 20Km3 de cinzas ardentes e pedras-pomes que subiu até 25 km acima da ilha. Durante as próximas horas, a nuvem alargar-se-ia para noroeste, subindo até uma altitude de pelo menos 36km.

A ilha explodiu com a força de 100 megatons (a bomba de Hiroshima foi de cerca de 20 quilotons). A explosão foi ouvida a mais de 4600km de distância, através do oceano Índico, desde as ilhas Rodriguez (perto de Madagascar), Sri Lanka, até à Austrália. A explosão levantou tsunamis de até 40m de altura, que destruiram as linhas costeiras do estreito de Sonda. Depois de cada onda, a água retrocedia e seguia-se uma aparente calmaria. Em seguida, apareceria uma outra muito maior que a anterior, que matava muitos dos que tinham se aventurado a ir até a costa durante a calmaria.

Muitas ilhas foram completamente submergidas. Cerca de 300 aldeias desapareceram, ou ficaram seriamente danificadas. As ondas derrubaram a maior parte dos faróis de Sonda. Estes tsunamis devastaram toda a vegetação, lançaram cerca de 3000 pessoas ao mar, e destruiu todos os sinais de ocupação humana.

Em Merak, já atingida por duas vezes, centenas de pessoas tinham procurado refúgio numas casas de pedra, no cimo de uma colina de 40 m de altura. Mas uma onda gigantesca, esmagou-se contra as casas, desfazendo-as. Dos 3000 habitantes da cidade, apenas dois sobreviveram. Das 36.417 pessoas que perderam a vida, oficialmente, 90% das mortes, foram devido a tsunamis.

Cerca de 6500 embarcações, foram vítimas do Krakatoa. Uma embarcação, foi arrastada por três quilometros para o interior da ilha. Essas tsunamis, geradas pela erupção foram observadas em todo o oceano Índico, no Pacífico, na costa oeste dos EUA, na América do Sul e até no canal da Mancha, no qual houve uma elevação dos níveis do mar. Elas destruíram tudo em seu caminho e levaram para a costa blocos de corais de até 600 toneladas.

As cinzas da explosão subiram a 50 quilometros de altitude, e isso afetou o clima para o próximo ano. Neste dia, 2/3 da ilha entraram em colapso sob o mar. Veja abaixo um comparativo da ilha antes e depois da erupção:





Os fragmentos mais finos de cinzas foram expelidos até ao topo da estratosfera, espalhando-se como uma grande nuvem, através da faixa equatorial, em apenas duas semanas. Essas partículas permaneceram suspensas na atmosfera durante anos, propagando-se mais longe para o norte e sul antes de finalmente dissiparem-se.

A nuvem estratosférica de pó, também continha grandes volumes de gás dióxido sulfuroso emitido do Krakatoa. As moléculas deste gás, rapidamente se combinaram com vapor de água, para gerar pingos de ácido sulfúrico na alta atmosfera. O resultado da combinação dos aerossóis ácidos e do pó vulcânico, originou um escudo atmosférico capaz de refletir suficiente luz do sol, para causar uma queda global de temperatura de vários graus.

Esta mistura rica em aerossóis também originou efeitos óticos sobre 70% da superfície da terra, inclusive uma Blue Moon, Lua Azul, de verdade. Durante vários anos depois da erupção de 1883, a terra ainda experimentou cores exóticas no céu, coroas em volta do sol e da lua, e uma matriz de nascer e pôr-do-sol anómalos.

A tragédia serviu de tema para o livro “O Dia em que o mundo explodiu”, do geólogo e escritor ingles Simon Winchetster, avaliado pelo The New York Times Book Review “como um dos melhores livros jamais escritos sobre a história e o significado de um grande desastre natural”.



Voltando para a nossa Blue Moon....

Embora não seja de interesse dos astrônomos, a Blue Moon serve ao nobre propósito de atrair a atenção das pessoas para as belezas do universo, possibilitando textos de divulgação científica como este. Mas se a sua ideia for mesmo fugir de um compromisso, pense de novo – e verifique (abaixo) quando será a próxima Blue Moon. Repare que se depender da Lua, você não tem como escapar...

Pra você ficar esperto segue abaixo todas as ocorrências de Blue Moon até 2100, começando em 2011 e usando como referência de tempo UTC-3 (Brasília)

                                                                         |---- 1ª  Lua Cheia-----|-------Blue Moon-------|

Poucas heim pessoal!?

Bem, é isso aí gente, tem Blue Moon pra todos os gostos! Música, literatura, astonomia e geologia!

Espero que curtam a postagem porque deu um trabalhão para achar e traduzir tudo, aliás foi por isso que demorei tanto pra postar de novo, estava preparando.

Até + !

Paty
Fontes:
Wikipédia
Astronomia no Zênite (www. zenite.nu)
SpaceWeather.com
Universidade do Algarve / Engenharia do Ambiente / Geologia Ambiental

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